BRAVI 2026: tecnologia do campo capixaba ganha vitrine na Itália em missão promovida pela Fapes
Em três dias na Ecomondo, feira de economia verde em Rimini, agrifoodtechs da missão foram recebidas pela organização do evento, conheceram empresas europeias e abriram os primeiros contatos com potenciais parceiros.
Uma plataforma que aproveita o espaço vazio dos caminhões para levar a produção do campo mais longe. Outra que conecta pequenos produtores de café especial a compradores no exterior. Soluções como essas, desenvolvidas por startups capixabas com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes), participaram entre terça (03) e quinta-feira (05) da Ecomondo, em Rimini, uma das principais feiras de economia verde e circular da Europa.
A participação faz parte da BRAVI 2026 – Brazilian Agrifoodtechs Innovation in Italy –, missão internacional promovida pelo Governo do Estado, por meio da Fapes, em parceria com a Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag). A BRAVI integra o Programa BSW – Brazilian Startups Worldwide –, idealizado pela Fundação para conectar startups brasileiras a ecossistemas de inovação de outros países.
Apoio de R$ 60 mil por empresa para chegar à Europa
Das nove agrifoodtechs da delegação, seis são capixabas. BagLog, Farmly, GreenWay, SymbioTech e Vent foram selecionadas pelo edital BRAVI 2026 e contam com apoio financeiro da Fapes de R$ 60 mil cada para participar da missão. A sexta capixaba, a CertifiCafé, ocupa uma vaga nacional, com subsídio do Edital Nova Economia Capixaba, também da Fapes.
Para o diretor de Inovação da Fundação, Elton Moura, estar na feira permite às startups acompanhar de perto o mercado internacional. “Como nós trouxemos as startups da vertical de agronegócios, é importante que eles vejam o que está acontecendo no mundo”, afirmou.
O objetivo, segundo ele, vai além da observação. “O mais importante é poder estabelecer algum tipo de parceria, algum memorando de entendimento, para que eles possam, no futuro, realizar negócios aqui na Itália. E, por que não, algumas startups italianas irem também para o Brasil, para se estabelecer no Espírito Santo”, disse.
A diretora administrativo-financeira da Fapes, Lucia Araújo, destacou o acesso que a missão oferece às empresas. “Estão tendo oportunidades que muitos não têm de já acessar esse tipo de informação e, de repente, sair na frente”, afirmou. “A Fapes é pioneira nesse tipo de missão. Essa é a quarta missão internacional promovida pela Fundação, por meio do Programa BSW, e acredito que será um sucesso, assim como foram as anteriores”.
Recebidos pela organização da Ecomondo
Na terça-feira (03), a delegação acompanhou a cerimônia de abertura da feira e começou as reuniões de negócios entre empresas, as chamadas B2B. Na quarta-feira (04), as techs foram recebidas pela organização da Ecomondo, no Pavilhão B8, em um encontro oficial e participaram de um evento sobre investimentos verdes e infraestrutura sustentável.
Integrante da organização da feira, Ilaria Messori, contou que o encontro foi preparado com antecedência. “Nos últimos meses, trabalhamos com a organização da BRAVI 2026 para receber esse grupo de startups do setor de tecnologia agrícola aqui na feira”, afirmou.
Tour de startups abre os primeiros contatos
Na quinta-feira (05), as agrifoodtechs percorreram a área de startups da feira em um tour conduzido por Angelica Noschese, da organização do evento. Para Iomar Cunha dos Santos, assessor de Relações Institucionais e Empresariais do FindesLab, hub de inovação da indústria capixaba que opera a missão, observar empresas que já atuam no mercado europeu ajuda as brasileiras a entender como se posicionar.
“Essa dinâmica é estratégica para as startups brasileiras e capixabas, pois permite conhecer o mercado local, identificar fornecedores e observar como as empresas internacionais atuam e apresentam seus produtos. Além disso, as visitas favorecem os primeiros contatos e abrem caminho para futuras parcerias e oportunidades de negócios”, destacou Cunha.
BagLog: a semente que chegou à Itália
Para a BagLog, esta é a primeira missão internacional. A startup capixaba levou à Itália uma plataforma de logística colaborativa que conecta produtores rurais, associações e cooperativas a transportadores que já percorrem suas rotas. Segundo a empresa, a tecnologia combina georreferenciamento, inteligência artificial e análise preditiva para aproveitar espaços vazios nos veículos, apoiar a rastreabilidade e evitar perdas no caminho, sem frota nem armazéns próprios.
“Participar da BRAVI, com o apoio da Fapes, é a validação de que a tecnologia capixaba pode alcançar o mundo. Ao mesmo tempo, é uma responsabilidade: transformar esse apoio em aprendizado, conexões e resultados”, afirmou a CEO e cofundadora, Patrícia Vitória.
A trajetória da empresa começou com outro apoio do Governo do Estado, o Programa Sementes. “A BagLog nasceu de uma pergunta simples: como fazer a produção de quem vive no campo chegar mais longe? O Programa Sementes foi uma das primeiras mãos que acreditaram nessa pergunta”, contou Patrícia. “Cada vez que olho para essa jornada, lembro que ela só começou porque alguém plantou a semente. É uma emoção muito grande ver que essa semente chegou até aqui.”
Na feira, a BagLog buscou representantes de governos regionais e de organizações de inovação. Emília-Romanha e Lombardia, regiões com forte presença agroalimentar, estão entre as que despertaram o interesse da empresa. “O que queremos é encontrar caminhos para construir um piloto junto com quem conhece o território e acompanha a realidade dos produtores”, disse a CEO.
Farmly: do café especial à logística porta a porta
A Farmly começou conectando produtores de cafés especiais do Brasil a compradores na Europa. A partir dessa experiência, desenvolveu uma plataforma de logística porta a porta que também atende outras culturas agrícolas e ajuda pequenos e médios produtores a vencer a burocracia da exportação.
“A gente, por meio disso, desenvolveu um ecossistema em que dá voz para esse produtor conseguir acessar o mercado internacional”, explicou o diretor de Controladoria e Internacionalização da empresa, Kaio Kuster.
Segundo Kaio, o apoio da Fapes é o que traz a empresa à Europa e a conecta com instituições, possíveis investidores e parceiros estratégicos. A relação com a Fundação também passa pelo Programa Centelha 3, realizado no Espírito Santo pela Fapes: de acordo com Kaio, a Farmly foi aprovada no edital, e os recursos serão investidos na plataforma de logística.
Na Ecomondo, o foco em economia circular e verde trouxe novas perspectivas. “Aqui a gente conseguiu ver soluções que podemos levar para o Brasil e apresentar para os nossos parceiros”, disse. “Eu não tenho como fazer o trabalho sozinho. A gente precisa unir mãos, precisa ter conhecimento no mercado que a gente não opera ainda, e ter conexão e abrir as portas de modo geral.”
MA.IA: de volta a uma missão da Fapes
A paulista MA.IA Solutions participa pela segunda vez de uma missão de internacionalização com a Fapes e o FindesLab. Em 2025, a empresa esteve no Brazilian Indtechs in Germany (BiG), na Alemanha. Agora, levou à Itália uma solução de inteligência artificial para inspeção de qualidade e contagem de frutas, sementes e mudas, que pode funcionar no próprio celular.
“Os resultados práticos, financeiros e estratégicos que a gente teve no BiG 2025 foram tangíveis e mostraram para a gente que o programa, ele traz a oportunidade, mas ele também traz toda uma estrutura para que você consiga aproveitar a oportunidade”, afirmou a fundadora e CEO, Natália D’Ávila.
Mesmo representando São Paulo na missão, a startup quer continuar próxima do Espírito Santo e fazendo negócios no estado. “A nossa parceria com o FindesLab e com a Fapes, ela foi sensacional”, disse a CEO.
Na primeira passagem pela Itália, a empresa faz o que Natália chama de missão de reconhecimento. “Hoje a MA.IA busca na feira entender as tendências de inovação, se conectar com os hubs e também circuitos de tecnologia voltados para o agronegócio”, explicou.
Para ela, o formato do programa faz diferença para quem está começando a buscar mercados no exterior. “Eu não diria que é só um programa importante. Ele é necessário para que a empresa, quando ela comece a ir para a internacionalização, ela faça um caminho estratégico e prático”, avaliou.
Próximos passos
A programação da BRAVI 2026 prevê, nesta sexta-feira (06), atividades em Bolonha. A agenda segue até o dia 11, com encerramento em Milão.
Além da Fapes e da Seag, a BRAVI 2026 conta com a operação do FindesLab e, na Itália, da Promo Brasile Italia. A missão tem apoio institucional do Programa Diplomacia da Inovação (PDI), do Ministério das Relações Exteriores, da Embaixada do Brasil em Roma e do Sebrae ES.
Mais informações sobre a missão e as empresas participantes estão no site oficial do BRAVI 2026: conteudo.findeslab.com.br/missao-italia.
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