23/03/2026 16h47 - Atualizado em 23/03/2026 17h01

Seminário Marco Zero: Fapes consolida início de pesquisas estratégicas para o SUS capixaba

Em evento na Cidade da Inovação, pesquisadores apresentaram objetivos e metodologias de seus projetos; em sua 8ª edição no estado, Edital PPSUS investe mais de R$ 6 milhões.

Quatro dias repletos de conhecimentos compartilhados e troca de experiências que vão refletir diretamente no desenvolvimento de pesquisas essenciais para a saúde pública do Estado. Assim dá para resumir o que foi o Seminário Marco Zero do Programa Pesquisa para o Sistema Único de Saúde (PPSUS), realizado pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes), que reuniu entre a terça-feira (16) e a sexta-feira (20), na Cidade da Inovação, pesquisadores, gestores públicos e representantes de instituições parceiras para alinhar as diretrizes da execução dos projetos e fortalecer a integração entre a produção científica e as demandas do SUS capixaba.

O encontro marcou o ponto de partida oficial para a execução de projetos inovadores que visam solucionar gargalos e aprimorar o atendimento na rede pública de saúde do Estado. Ao todo, 32 projetos foram contratados no edital FAPES/CNPq/Decit-SECTICS-MS/SESA nº 17/2024, com investimento superior a R$ 6 milhões.

"Encerramos este Marco Zero com a certeza de que a ciência capixaba está pronta para entregar resultados concretos. Ver esses projetos alinhados com as diretrizes do SUS nos dá a segurança de que o investimento público retornará em forma de diagnósticos mais rápidos, tratamentos inovadores e uma gestão de saúde muito mais eficiente para o cidadão", afirmou o diretor-geral da Fapes, Rodrigo Varejão.

Para Edinir Pinheiro, gerente de pesquisa e difusão científica da Fapes, o evento superou as expectativas e mostrou que o PPSUS alcança sua magnitude por meio das parcerias.

“A Fapes desempenha um papel de execução, mas toda a interlocução do PPSUS é realizada em conjunto com a Secretaria Estadual de Saúde. A participação do ICEPi, com mais de 20 avaliadores em diversas áreas de especialização, demonstrou essa interlocução estadual. Além disso, a presença constante de representantes do CNPq e do Ministério da Saúde, em nível federal, reforçou a importância da integração. Posso dizer que três palavras resumem este encontro: articulação, integração e continuação”, definiu.

Apresentações tem formato dinâmico

O seminário foi estruturado para promover a integração entre academia e gestão pública. Após um primeiro dia dedicado a palestras sobre políticas informadas por evidências e oficinas de linguagem simples para pesquisadores, a programação seguiu com as apresentações técnicas ao longo da semana. Cada um dos pesquisadores teve um tempo de 10 minutos para detalhar seus planos de trabalho, permitindo uma discussão ágil e focada na tradução e disseminação do conhecimento para a rede de saúde.

As pesquisas apresentadas contemplam cinco eixos temáticos prioritários para o Estado:

  • Gestão do Trabalho e Educação na Saúde
  • Equidade e Determinantes Sociais
  • Rede de Atenção e Vigilância em Saúde
  • Democratização, Cidadania e Direito à Saúde
  • Inovação em Saúde

Um dos pesquisadores a apresentar seu projeto no seminário foi o diretor do Laboratório Central de Saúde Pública do Espírito Santo (Lacen-ES) e professor da Ufes, Rodrigo Ribeiro Rodrigues, que mostrou um estudo que utiliza tecnologias de ponta, como a transcriptômica (análise de RNA) e a análise fenotípica, para entender o comportamento do vírus Oropouche em pacientes capixabas. A pesquisa pode ser considerada urgente, dado que o Espírito Santo enfrentou seu primeiro surto no início de 2024, com mais de 12 mil casos registrados.

"Abordar essa arbovirose em um momento em que ela se expande para além de seu habitat natural, é de grande importância, tanto para a ciência quanto para a saúde pública", pontuou Ribeiro Rodrigues.

O diretor do Lacen-ES ainda destacou que o formato do encontro é vital para o amadurecimento das propostas e agradeceu o apoio dado pela Fapes na organização do evento. "O Marco Zero proporciona a oportunidade de receber sugestões que visem aprimorar o desenvolvimento da pesquisa, além de facilitar a conexão com outros grupos, permitindo a troca de ideias e o estabelecimento de novas colaborações. Acredito que o programa é fundamental, e congratulo pela sua oitava edição, com a expectativa de que continue por muitos e muitos anos", explicou.

Quem também contribuiu com muito conhecimento foi Edumar Ramos Cabral Coelho, professora do Departamento de Engenharia Ambiental da Ufes. Ela apresentou um projeto que trata da presença dos agrotóxicos no meio ambiente e a possibilidade de eles estarem também na água potável se não forem removidos.

“O objetivo do trabalho é monitorar dois agrotóxicos, 24-D e atrazena, nos principais mananciais: Rio Jucu e Santa Maria da Vitória. A partir daí, temos a proposta de um filtro com bactérias para remover esses agrotóxicos, impactando diretamente na saúde da população”, resumiu.

A pesquisadora ainda fez questão de parabenizar a Fapes pela adesão constante ao programa PPSUS, abrindo aos pesquisadores capixabas a possibilidade de desenvolver projetos importantes para a saúde pública do Espírito Santo.

"É um programa muito importante, até pela longevidade. A grande agradece o empenho da Fapes em aderir ao PPSUS para nos ajudar a tentar resolver nossos grandes problemas sanitários, desde a atenção básica até as questões ambientais, sempre com foco na saúde da população. A gente espera que esses financiamentos continuem ao longo do tempo", torceu Edumar Ramos Cabral Coelho.

Avaliadores independentes elogiam projetos

Todos os projetos apresentados ao longo dos três dias receberam a opinião técnica de um grupo de avaliadores independentes, que interagia com os pesquisadores ao final de suas explicações fazendo questionamentos e dando sugestões para a melhoria das pesquisas.

Um deles foi Wander Pavanelli, professor da Universidade Estadual de Londrina, que esteve presente em todos os dias do seminário. Para ele, a experiência nesta etapa foi muito positiva.

“Observo uma heterogeneidade nos temas abordados e nas questões levantadas pelos pesquisadores. O mais importante é que estamos presenciando a contemplação de diversos assuntos e abordagens. Tenho certeza de que, com esse processo, será possível gerar produtos e garantir que os recursos sejam empregados de forma eficiente, com aplicação direta aos pacientes, que é essencial”, informou.

A professora de genética da Ufes, Flávia Imbroisi Valle Errera, também participou do evento como avaliadora independente e garantiu que os projetos superaram as suas expectativas. Além disso, fez questão de destacar a união entre todos os atores envolvidos no seminário: instituições, avaliadores e pesquisadores.

“Tenho muita satisfação em dizer que já participei como pesquisadora, membro de equipe e, agora, pela terceira vez como avaliadora, em um evento que, em breve, completará duas décadas. Destaco a transparência do processo e a excelente organização promovida pela Fapes. A participação de todos no Seminário Marco Zero engrandece o PPSUS”, ratificou.

“O programa representa um ato democrático, tanto em sua concepção quanto em sua execução ao longo dos anos. Acredito que agora o foco deve ser transformá-lo em um projeto de nação, garantindo sua continuidade e a disseminação de seus benefícios à toda sociedade”, finaliza Flávia Imbroisi Valle Errera.

Comunicação efetiva em foco

Ao final dos turnos de apresentação dos projetos, houveram discussões sobre os planos de tradução e disseminação do conhecimento, com pontuações de Cecília Ribeiro, mestre em Comunicação e pesquisadora da cobertura jornalística de temas relacionados à saúde mental, apontando alguns caminhos para a melhor divulgação dos trabalhos expostos.

"Apresento algumas sugestões, considerando o tempo limitado disponível. Reconheço a dificuldade de discutir a gestão de cada projeto individualmente, então fiz uma breve análise dos projetos, destacando os pontos que mais me chamaram a atenção e oferecendo sugestões concisas e objetivas. Me coloco também à disposição para esclarecimentos, interação com os envolvidos e apoio ao processo de pesquisa."

Quem faz o PPSUS?

O programa é uma iniciativa que descentraliza o financiamento de pesquisas em saúde para os estados brasileiros. O objetivo é apoiar estudos que atendam às necessidades e aos desafios de saúde de cada Unidade Federativa, contribuindo para o desenvolvimento científico e tecnológico e para a melhoria da qualidade de vida da população.

Ao longo de 20 anos, o PPSUS se consolidou como um dos principais programas de fomento à ciência, tecnologia e inovação em saúde no Brasil. No Espírito Santo, já foram realizadas sete edições, com 134 projetos de pesquisa financiados, envolvendo 17 instituições de ensino e pesquisa e um investimento total de R$ 8,4 milhões.

A 8ª edição do programa é uma parceria da Fapes com o Ministério da Saúde, por intermédio do Departamento de Ciência e Tecnologia da Secretaria de Ciência e Tecnologia e Inovação em Saúde (CGPS/Decit/SCTIE/MS), o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) por meio do Instituto Capixaba de Ensino, Pesquisa e Inovação em Saúde (ICEPi).


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