02/04/2026 10h18

Com apoio da Fapes, pesquisadores do Ifes Cachoeiro desenvolvem aplicativo inovador para sustentabilidade no setor de rochas

Foto Divulgação: Envato

Projeto traz solução inédita para análise ambiental já desperta interesse internacional.

O desenvolvimento de tecnologias voltadas à sustentabilidade tem ganhado protagonismo no setor de rochas, uma das principais atividades econômicas do Espírito Santo. Nesse contexto, um projeto conduzido por pesquisadores do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo (Ifes) – Campus Cachoeiro de Itapemirim, vem se destacando ao criar um aplicativo inovador para coleta e organização de dados ambientais, viabilizando a análise do ciclo de vida (ACV) das rochas naturais. A iniciativa conta com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes), por meio do edital nº 09/2024 - Extensão Tecnológica.

A análise do ciclo de vida é uma metodologia reconhecida internacionalmente, que permite mensurar os impactos ambientais de um produto em todas as etapas da cadeia produtiva — da extração ao transporte e beneficiamento. De acordo com o professor do Ifes e coordenador do projeto, Igor Henrique Beloti Pizetta, no caso das rochas ornamentais, esse tipo de estudo é essencial para que o setor possa comprovar sua sustentabilidade e competir em um mercado global cada vez mais exigente.

“A análise do ciclo de vida permite entender, com precisão, todos os impactos envolvidos na produção das rochas naturais, desde a extração até o produto final. Isso é fundamental para posicionar o setor de forma competitiva, especialmente diante de materiais concorrentes”, explica Pizetta.

A principal inovação do projeto está no desenvolvimento de um aplicativo que substitui métodos tradicionais, como planilhas, por uma plataforma digital mais segura, dinâmica e adaptada às necessidades do setor. A ferramenta, que fica dentro do site do Laboratório de Automação e Inovação em Rochas (Lair), permite o registro, armazenamento e exportação de dados de forma padronizada, facilitando a participação das empresas e garantindo a confiabilidade das informações.

“Criamos uma solução que atende a uma demanda real do setor, principalmente no que diz respeito à segurança dos dados. Muitas empresas tinham receio de compartilhar informações estratégicas. O aplicativo resolve esse problema e ainda torna o processo muito mais eficiente”, destaca o pesquisador.

A ferramenta já está sendo utilizada em âmbito nacional e tem potencial para ampliar significativamente a base de dados do setor, envolvendo centenas de empresas. Segundo o coordenador, essa escala é essencial para gerar diagnósticos mais precisos e fortalecer a imagem das rochas naturais em projetos de construção sustentável, que exigem comprovação de baixo impacto ambiental para certificações como o LEED, sistema global mais reconhecido para edifícios sustentáveis.

Aplicativo apresentado em feira na Itália

Além do impacto direto no setor produtivo, o projeto também vem ampliando a inserção internacional da pesquisa capixaba. A solução foi apresentada na tradicional feira internacional Marmomac, realizada na Itália, um dos principais eventos globais do segmento de rochas ornamentais.

“Apresentar o projeto em um evento internacional, com a presença de lideranças e especialistas de diversos países, foi uma experiência extremamente relevante. Tivemos a oportunidade de mostrar que o trabalho desenvolvido no Espírito Santo tem aplicação global e pode contribuir para a padronização de práticas no setor”, ressalta Pizetta.

A participação no evento também fortaleceu parcerias com instituições estrangeiras e abriu caminho para colaborações futuras, incluindo iniciativas conjuntas com universidades europeias e organizações internacionais do setor.

“Estabelecemos uma parceria com o Politécnico de Turim, concretizada por meio de uma colaboração para intercâmbio de conhecimentos quando estivemos lá nos anos de 2024 e 2025. Estamos desenvolvendo um artigo em conjunto com a professora Isabella Bianco, que possui expertise em análise de rochas mentais e ciclo de vida, tema central de sua tese e parte de sua contribuição na elaboração do ciclo de vida na Itália. Sua colaboração é extremamente valiosa e enriquece nosso trabalho”, afirma Pizetta.

Recurso da Fapes impulsiona projeto e novas conexões

Para Pizetta, o apoio da Fapes foi decisivo para a execução do projeto, especialmente no que diz respeito à formação de recursos humanos e à estrutura necessária para o desenvolvimento da tecnologia. Ao todo, foram investidos um total de R$ 60 mil em bolsas e equipamentos necessários.

“O financiamento da Fapes foi fundamental porque permitiu a participação de estudantes, a aquisição de equipamentos e a criação de um ambiente adequado de trabalho. Sem esse apoio, seria muito difícil alcançar os resultados que estamos obtendo”, pontua o coordenador.

Segundo o pesquisador, o incentivo também contribuiu para aproximar ainda mais o instituto das empresas, ampliando a visibilidade das pesquisas aplicadas e estimulando novas parcerias.

“A partir desse projeto, conseguimos fortalecer o diálogo com o setor produtivo e mostrar, na prática, como a pesquisa pode gerar soluções inovadoras. Isso tem criado um efeito positivo, despertando o interesse de outras empresas e incentivando a adoção de novas tecnologias”, garante.

Com o avanço da ferramenta e a consolidação da base de dados, a expectativa é ampliar o uso do aplicativo para outros países e, futuramente, incorporar novas funcionalidades, como integração direta com sistemas das empresas e realização de análises ambientais dentro da própria plataforma.

“A iniciativa reforça o papel estratégico do investimento em ciência, tecnologia e inovação para o desenvolvimento sustentável da economia capixaba, especialmente em setores tradicionais que buscam se adaptar às novas exigências do mercado global”, avalia o diretor-geral da Fapes, Rodrigo Varejão.

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