Iniciativa foi certificada na Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP 30), realizada em Belém.
Com investimento de R$ 1 milhão da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes), uma pesquisa desenvolvida pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo (Ifes) – Campus Piúma está unindo ciência, educação ambiental e participação comunitária para fortalecer ações de conservação dos ecossistemas costeiros capixabas.
O projeto “Vozes dos Manguezais de Guarapari: Diagnóstico e Ações para a Proteção e Conscientização”, coordenado pelo professor Marlon Carlos França, foi contemplado pelo Edital Fapes/Seama nº 13/2024 – Apoio a Projetos de Pesquisa e Extensão para Restauração Ecológica de Manguezais no Espírito Santo e recebeu reconhecimento nacional durante a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP 30), realizada em Belém.
A iniciativa busca construir um diagnóstico ambiental dos manguezais de Guarapari, implementar ações de restauração ecológica, monitoramento ambiental e conscientização das comunidades locais. O objetivo é ampliar o conhecimento sobre esses ecossistemas e promover o engajamento social em torno da sua proteção e preservação.
O projeto surgiu a partir de uma demanda da comunidade local, especialmente da Associação Salvamar, organização que desenvolve ações socioambientais e atividades voltadas à formação de jovens em Guarapari. Segundo o coordenador, a proposta nasceu da necessidade de aproximar ciência e sociedade em torno de um tema urgente.
"Nossa grande motivação é conscientizar as comunidades e popularizar a ciência em busca de um futuro sustentável. Quando surgiu o edital da Fapes e da Seama, enxergamos a oportunidade de transformar uma demanda da comunidade em uma ação concreta, estruturada e de grande impacto ambiental", explicou França.
Diagnóstico, restauração e envolvimento da comunidade
As atividades são desenvolvidas em diferentes etapas. Inicialmente, foram realizadas ações de campo para coleta de dados científicos e construção de um diagnóstico ambiental dos manguezais localizados nas regiões dos rios Una e Perocão, além da área da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Concha D’Ostra.
A partir dos resultados obtidos, a equipe iniciou ações práticas de restauração ecológica, incluindo coleta de sementes, produção de mudas e os primeiros plantios em áreas selecionadas. Paralelamente, também são realizados processos contínuos de monitoramento ambiental e acompanhamento do crescimento das mudas, além da produção de materiais educativos e atividades de aproximação com a comunidade.
O projeto adota uma metodologia participativa, envolvendo moradores, estudantes, escolas e organizações locais na definição das ações e estratégias de restauração. “Realizamos reuniões e oficinas nas comunidades, permitindo que moradores participem das decisões e façam parte do processo de escolha das áreas de restauração. O envolvimento das crianças e dos jovens tem sido especialmente importante”, destacou o pesquisador.
Manguezais sofrem impactos da expansão urbana
Os levantamentos iniciais realizados pela equipe apontam que os manguezais de Guarapari enfrentam pressões crescentes provocadas pelo avanço urbano desordenado, ocupações em áreas de preservação e problemas relacionados ao saneamento básico. Segundo Marlon França, algumas áreas apresentam maior grau de conservação, como a RDS Concha D’Ostra, enquanto outras sofrem impactos significativos provocados por intervenções humanas.
"Esses ecossistemas desempenham papel essencial para a biodiversidade marinha e costeira, funcionando como áreas de alimentação, abrigo e reprodução para diversas espécies, além de contribuírem para a proteção do litoral e o equilíbrio ambiental", informou.
Projeto recebeu reconhecimento durante a COP 30
O trabalho desenvolvido pelo projeto também recebeu destaque nacional ao conquistar uma certificação durante a COP 30, concedida pela Secretaria-Geral da Presidência da República. O reconhecimento ocorreu em função da contribuição da iniciativa para o Mutirão de Soluções para o Enfrentamento da Crise Climática, valorizando propostas alinhadas às agendas de sustentabilidade e ação climática.
Para a equipe, a certificação representa o reconhecimento do potencial transformador do projeto. “O certificado reconhece o engajamento, a criatividade e a dedicação em apresentar soluções para enfrentar desafios relacionados às mudanças climáticas. Ele valida o potencial de impacto das ações desenvolvidas”, afirmou o coordenador.
Apoio da Fapes fortaleceu estrutura e formação de pesquisadores
Além das ações ambientais, o projeto também tem contribuído para a formação de estudantes e novos pesquisadores. Alunos de diferentes níveis de ensino — do ensino médio à pós-graduação — participam diretamente das atividades, desenvolvendo pesquisas, trabalhos acadêmicos e projetos científicos.
De acordo com o professor, o financiamento da Fapes foi essencial para estruturar laboratórios, adquirir equipamentos e garantir bolsas para formação de recursos humanos.
"O apoio da Fapes foi fundamental para fortalecer nossa estrutura de pesquisa, equipar laboratórios, adquirir tecnologias de monitoramento e investir na formação de estudantes e pesquisadores. Mais do que financiar um projeto, esse investimento fortalece a pesquisa aplicada e amplia a capacidade do Espírito Santo de desenvolver soluções ambientais concretas", pontuou França.
Entre os primeiros resultados já alcançados estão a elaboração do diagnóstico ambiental, a implantação de viveiros, a produção inicial de mudas, os primeiros testes de plantio e a formação de equipes voltadas ao estudo dos ecossistemas de manguezal.
A expectativa é que as metodologias desenvolvidas possam ser replicadas em outras regiões do Espírito Santo e também em diferentes áreas costeiras do país, ampliando os impactos positivos da iniciativa.
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