30/03/2026 10h19 - Atualizado em 30/03/2026 10h24

Centros Temáticos: Fapes reúne projetos inéditos e impulsiona áreas estratégicas em workshop

Pesquisas selecionadas em edital da Finep, com apoio da Fapes, avançam no Espírito Santo com foco em inteligência artificial, sustentabilidade e resiliência do agronegócio e transformação digital.

A última sexta-feira (27) foi marcada por debates sobre pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) no Espírito Santo e no Brasil. A Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes) realizou, em sua sede, em Vitória, o Workshop Centros Temáticos, reunindo coordenadores de três projetos inéditos no estado.

As iniciativas foram selecionadas no edital nacional de Centros Temáticos da Finep (Chamada Pública MCTI/FINEP/FNDCT – Centros Temáticos 2024) e, com apoio do Governo do Estado, por meio da Fapes, receberam investimento de R$ 22,4 milhões. O valor é do Fundo Estadual de Ciência e Tecnologia (Funcitec).

Os projetos são desenvolvidos pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo (Ifes) e pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper).

Embora tenham sido aprovados na fase de mérito do edital nacional, os projetos não receberam recursos federais. Com a parceria da Fapes, no entanto, passaram a contar com financiamento para implantação dos centros temáticos inéditos no estado.

As pesquisas contemplam áreas estratégicas para o desenvolvimento do Espírito Santo, como inteligência artificial, sustentabilidade e resiliência do agronegócio e transformação digital.

“O Espírito Santo definiu, em seus planos de longo prazo — o ES500 Anos e o PCTI-ES – , áreas prioritárias para um novo ciclo de desenvolvimento econômico e social. Entre elas estão meio ambiente, produção agrícola, descarbonização da indústria, energia limpa e transformação digital”, destacou Rodrigo Varejão, diretor-geral da Fapes.

“Aproveitamos a oportunidade de contar com projetos maduros, já aprovados em chamada nacional, para impulsionar essas iniciativas com recursos estaduais. Esses projetos dialogam diretamente com as metas do Espírito Santo e contribuem para preparar profissionais capixabas para atuarem como protagonistas nos grandes desafios do nosso desenvolvimento”, disse Varejão.

Conheça os centros temáticos:

CenToPeIA-UFES – O Motor da Transformação Digital Capixaba

O Centro de Transformação Digital da Pesquisa, Extensão e Inovação Acadêmica (CenTopeIA-UFES) recebeu aproximadamente R$ 10,3 milhões da Fapes para ser executado e vai promover infraestrutura de alto desempenho para a soberania tecnológica. 

De acordo com a apresentação do coordenador do projeto, o professor doutor Vinícius Cândido Mota, o estudo é uma disrupção estrutural sendo, não apenas, a aquisição de hardware, mas a implantação de um modelo operacional que democratiza a supercomputação.

“O CenTopeIA pretende trazer para a Ufes e para o Estado um centro de computação de alto desempenho que vai proporcionar uma série de potencialidades para o Espírito Santo e também para a Universidade. Vai ser um ganho muito grande para a pesquisa da Ufes”, pontuou o professor doutor que coordena o projeto.

“Também faz parte do CenTopeIA a ampliação da conectividade no campus da Ufes, o que vai ajudar vários projetos de PD&I que dependem desse avanço”, explicou Vinícius Cândido Mota.

Ainda em sua apresentação, o coordenador mostrou que o CenTopeIA será alinhado com o objetivo institucional de consolidar e blindar a infraestrutura da pesquisa capixaba garantindo sustentabilidade a longo prazo, além de promover infraestrutura de classe mundial focada na transformação digital do Espírito Santo.

O CenTopeIA vai atuar com cinco metas:

  1. O Motor – HPC e Inteligência Artificial;
  2. A Via Expressa – Conectividade 5G e rede e-Ciência;
  3. O Data Center – Construção do CEPAD-ES;
  4. A Soberania – Soberania digital capixaba;
  5. A inovação – Software e novos materiais.

Nova-IA Indústria – Núcleo Otimizado e Virtualizado para Aplicações de Inteligência Artificial para Indústria

O projeto do Ifes, coordenado pela professora doutora Karin Komati, recebeu R$ 5 milhões da Fapes e será um centro de referência no uso de IA para a transformação digital sustentável e inovação na indústria.

O centro temático vai atuar nos desafios climático e tecnológico do carbono na indústria siderúrgica. De acordo com a apresentação da coordenadora a indústria, do aço e minério enfrenta a pressão de descarbonizar sua cadeia produtiva e a transição energética não é mais opcional. A transição para indústria de baixo carbono exige um novo paradigma de pesquisa aplicada.

“Estamos trabalhando na descarbonização do processo siderúrgico com a meta do aço verde que é muito importante para questões climáticas e pela proposta do ESG, em que temos que diminuir 30% da emissão de carbono até 2033. Disruptivamente, nós temos duas grandes rotas. Uma é substituir o carbono pelo hidrogênio no processo de siderúrgico. E a segunda é ir pela manufatura aditiva otimizada com uso de impressora 3d a laser para fabricação de peças metálicas complexas com ligas alternativas e sustentáveis”, explicou Karin Komati.

Para a professora doutora o estudo “é uma concepção única em termos de Brasil. Nós vamos usar redes neurais artificiais do tipo PINN [Physics-informed neural network]. Essa rede neural é diferenciada porque já vem embutida com leis da física, termodinâmica, e mecânica dos fluidos. Além de aprender com as outras variáveis que existem no modelo real e em tempo real dos dados brutos da indústria. E com isso teremos uma rede neural muito mais confiável”, afirmou.

Karin Komati também ressaltou a importância do apoio financeiro da Fapes no projeto do centro temático: “Com o recurso da Fapes será possível comprar um forno de indução de quase 1 milhão de reais, um servidor de IA de quase 2 milhões de reais e em nenhum outro edital a gente conseguiria esse tipo de fomento”.

O Nova-IA Indústria vai atuar em cinco pilares estratégicos:

  1. Redução de Emissões – Rotas de hidrogênio e LPBF para um impacto climático tangível;
  2. Transformação Digital – Modelos preditivos complexos e IA informada por leis físicas (PINNs);
  3. Infraestrutura – Data Center de uso compartilhado, ágil e seguro sediado no Ifes;
  4. Cooperação – Conexão direta estruturada entre academia, empresa e governo;
  5. Formação de RH – Capacitação de alta performance para a Rede Federal e o estado.

AgroResilience – Núcleo Multiusuário para o Desenvolvimento de Estratégias Inovadoras para a Sustentabilidade e Resiliência do Agronegócio

Pelo Incaper a doutora Sara Dousseau Arantes, coordenadora do AgroResilience, apresentou sobre o projeto que recebeu R$ 7 milhões da Fapes e será o primeiro centro temático do Espírito Santo focado em adaptação climática e sustentabilidade do agronegócio.

“Vamos é trazer soluções agronômicas para poder mitigar os eventos climáticos e garantir a produção agrícola. Nós trabalhamos dentro do centro em três eixos centrais. O primeiro é a geração de genótipos com genótipos mais resilientes, o segundo é o desenvolvimento de estratégias de manejos, com manejo adaptativo para que as plantas consigam sobreviver àquela condição estressante e serem produtivas. E o terceiro eixo é o portfólio de serviços”, destacou Sara Dousseau Arantes.

“A ideia do centro temático AgroResilience é que ele se torne um hub de soluções voltadas para o agronegócio”, concluiu a coordenadora que também explicou que o projeto possui equipe multidisciplinar com membros da Ufes, UVV, Unifal, Faesa, UFLA e empresas, além das áreas do Incaper de pesquisa e de extensão.

A missão do projeto é a de transformar vulnerabilidade climática em oportunidades de inovação e resiliência. O objetivo central é o de implantar e consolidar o AgroResilience como referência no desenvolvimento, validação e difusão de estratégias de adaptação climática para café canéfora, pimenta-do-reino e abacaxi no Espírito Santo.

Conforme explicado pela coordenadora, o projeto vai atuar em três eixos estratégicos:

  1. Resiliência climática e melhoramento genético;
  2. Manejo fisiológico e estratégias sustentáveis;
  3. Capacitação, difusão e serviços tecnológicos.

Informação à Imprensa:
Assessoria de Comunicação da Fapes
Samantha Nepomuceno | Igor Gonçalves
(27) 3636-1867 | 3636-1858
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